Mara Domingues29 Jan 2020

As cooperativas e tudo o que precisas de saber sobre elas

Realidades diferentes, o mesmo objetivo!

A 1ª cooperativa de que a História tem memória
 
Conta-se que a primeira cooperativa, remonta a 1844 na Inglaterra. Com a Revolução Industrial, a classe operária começou a passar sérias dificuldades financeiras. Os salários eram muito baixos e em contrapartida o número de horas trabalhadas era muito alto.
 
Como em todos os momentos de crise, começaram a sobressair algumas figuras na tentativa de criarem associações de apoio, no entanto, o resultado não foi o espectado.
Após várias tentativas associativas goradas, algumas pessoas tiveram a ideia de se juntarem com os principais visados nesta ajuda. Desta forma, tornava-se mais simples e mais claro, quais seriam as melhores soluções para ultrapassar esta crise.
 
E desta maneira, formou-se a primeira cooperativa. 
28 pessoas reunidas, que avaliaram e debateram as propostas. Mas ideia não era apenas ajudar momentaneamente. O que este grupo queria, era efetivamente encontrar uma alternativa de apoio social e económico, mas duradouro no tempo. E para isso foi necessário, criar normas a obedecer e metas para atingir. 
Um ano depois, com o dinheiro que tinham angariado, conseguiram abrir um armazém cooperativo.
 
Mas o que é realmente uma cooperativa?
 
Existe um conceito de cooperativa, declarado e aprovado pela Declaração da Aliança Cooperativa Internacional. Este explica que uma cooperativa, é uma associação autónoma, de pessoas, que voluntariamente se juntam, para desta forma satisfazerem necessidades e atingirem objetivos económicos, sociais e culturais comuns. E isto tudo acontece sob a forma de uma empresa de propriedade conjunta e democraticamente controlada.
 
Está claro? Confuso?
 
As principais caraterísticas
 
A empresa criada quando se forma uma cooperativa, não tem como principal fim atingir lucros, apesar de que, se por acaso alcançar algum tipo de lucro, isso não é impeditivo para ser uma cooperativa.
Por norma os beneficiários desta empresa são os próprios membros da cooperativa e não pessoas exteriores.
Por isso, tem o nome de empresa colaborativa. 
 
A participação é totalmente voluntária, sendo que tens a responsabilidade que estiver inerente ao teu papel de membro. Porém, também o direito de usufruir dos seus serviços.
Apesar de não obedecer a uma estrutura tão pesada como uma empresa, dita normal, a cooperativa tem princípios cooperativos aos quais tem de obedecer.
 
A atribuição de responsabilidades também tem regras próprias. A responsabilidade de cada membro pode ser limitada ao valor de capital que cada um investiu. 
Ou ainda há possibilidade de registar nos estatutos que, para alguns membros a responsabilidade é limitada e para outros é ilimitada.
 
E como se forma uma cooperativa?
 
O número total de membros aceites numa cooperativa é completamente ilimitado, no entanto para a sua formação, tem de ter pelo menos dois sócios.
 
A sua constituição tem de ficar obrigatoriamente  efetivada por escrito e tanto pode ficar registada em escritura pública como por instrumento particular.
 
Bastante simples, não achas?
 
Se tens interesse numa determinada área, e acreditas que existe margem para melhorar podes fundar uma cooperativa de primeiro grau, na qual os membros são pessoas singulares ou coletivas, ou uma de grau superior, composta por federações, uniões ou confederações de cooperativas.
 
Em alguns casos o Estado pode participar como membro, desde que a cooperativa seja de interesse público. Nestes casos, também podem se juntar pessoas coletivas de direito público e de cooperativas e outras entidades relacionadas com a economia social.
 
Cooperativas para todas as necessidades
 
Por norma associamos, as cooperativas à agricultura e à habitação, no entanto, as cooperativas existem em variadíssimas áreas. Desde que haja a necessidade e a vontade, tudo é possível.
 
Efetivamente na agricultura existem várias cooperativas. Criadas pelos agricultores e produtores, tornam-se numa forma de chegar mais facilmente ao mercado, com os seus produtos e de poderem fazer frente à concorrência dos grandes produtores.
 
É o que se passa na Cooperativa União Agrícola CRL, no Rabo de Peixe, na Ilha de S. Miguel. Ou na Cooperativa Agrícola de Esposende, onde os agricultores se juntaram  para vender  batatas, cenouras, alfaces ou frutas variadas, entre outros. A esta lista também podemos juntar adubos e rações.
De outra forma, seria muito difícil estes produtores conseguirem vender com sucesso os seus produtos.
 
Se quiseres comprar peças de artesanato ou se pelo contrario queres vender as tuas obras, só tens de encontrar uma das muitas cooperativas de artesanato.
Algumas destas cooperativas produzem apenas um único produto, na maioria dos casos é o característico da zona onde estão inseridas.
 
A cultura também não fica de fora. Existem várias cooperativas, cujo objetivo principal é promover as iniciativas de cariz cultural e permitir que todos tenham a oportunidade em divulgar a sua arte. Como acontece na Cooperativa Cultural Popular Barreirense CRL, no Barreiro e com a sua agenda cultural.
 
A lista de áreas intervencionadas por cooperativas é ilimitada.
Cooperativas de comercialização, cooperativas de consumidores ou cooperativas de habitação e construção. E continua…
Cooperativas de crédito, cooperativas de pesca, cooperativas de serviços. E segue por aí fora....
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Mara Domingues
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O meu nome é Mara, muitas vezes confundido com Maria, Marta ou até mesmo Lara.
E onde entra a escrita na minha vida?...

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